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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Trilogia Bartimaeus

01 - O Amuleto de Samarcanda
A tarde mostrava-se escura e tempestuosa e, embora fosse Primavera, a temperatura da sala baixou rapidamente. Formou-se gelo nas cortinas e incrus-tou-se uma densa camada em volta dos lustres no teto. Os filamentos brilhantes em cada lâmpada ficaram mais finos e escureceram-se, enquanto as velas que brotavam de cada superfície disponível como uma colônia de co-gumelos venenosos ficaram com os pavios apagados.

Trilogia Bartimaeus

02 - O Olho de Golem
Ao entardecer, as fogueiras dos acampamentos dos inimigos foram surgindo, uma a uma, em profusão superior à de qualquer outras noites. As luzes cintilavam como jóias de fogo na tonalidade cinzenta das planícies, em tão grande número que mais parecia ter brotado da terra uma cidade encantada. Em contraste, dentro das nossas muralhas, as casas tinham as persianas fechadas, as luzes apagadas. Tivera lugar uma estranha inversão — a própria Praga estava escura e morta, enquanto os campos à sua volta brilhavam de vida.

Trilogia Bartimaeus

03 - O Portão de Ptolomeu
Os assassinos invadiram os jardins do palácio à meia-noite, quatro sombras escuras fugazes coladas ao muro. A queda foi alta, o solo duro; o impacto deles não fez mais ruído do que os pingos da chuva. Perma-neceram ali acocorados três segundos, abaixados e i-móveis, cheirando o ar. Depois avançaram furtivamente pelos jardins escuros, por entre as tamargueiras e tama-reiras, em direção aos aposentos onde o rapaz repousa-va. Uma chita acorrentada agitou-se no sono; ao longe no deserto, os chacais uivaram.