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terça-feira, 28 de março de 2017

Vampiros Em Nova York

01 - Os Primeiros Dias
Você pode estar se perguntando o que sou eu. Sou um parasita positivo. Tecnicamente, um peep, mas ainda posso ouvir Kill Fee e Deathmatch, assistir ao pôr-do-sol ou botar molho de pimenta num ovo mexido sem gemer. Por alguma razão evolutiva, sou parcialmente imune, um dos sortudos ganhadores da loteria genética. Peeps como eu são mais raros que galinhas com dentes. Apenas uma em cada centena de vítimas torna-se mais forte e mais rápida, dotada de audição incrível e faro excelente, sem acabar enlouquecida pelo anátema. Somos conhecidos como portadores, porque temos a doença de sem desenvolver todos os sintomas. Temos, porém, um sintoma extra. A doença nos deixa excitados. O tempo todo...
Creio que nada disso me torna muito diferente da maioria dos jovens de 19 anos. Exceto por um fato: se eu sigo meus instintos, minhas amantes azaradas transformam-se em monstros, como Sarah. E isso não é nada agradável de se assistir.

Vampiros Em Nova York

02 - Os Últimos Dias
Às vezes pressinto quando algo importante vai ocorrer – quando vou arrebentar uma corda da guitarra, ou vou ser flagrado entrando em casa furtivamente, ou quando meus pais estão prestes a começar uma briga daquelas.
Por isso, momentos antes de a TV cair, levantei os olhos.
A mulher tinha vinte e poucos anos, cabelos ruivos como fogo e olhos manchados, com maquiagem escura escorrendo pelo rosto. Ela jogou uma televisão pela janela do terceiro andar: um modelo antigo, quadradão, acompanhado pelo fio comprido se agitando durante o mergulho até a calçada.
A primeira coisa que fiz em seguida foi olhar para cima. Sabe, para o caso de todo mundo estar arremessando TVs da janela naquela noite, e eu precisar me esconder embaixo de um carro estacionado. Mas era só aquela mulher.
E agora ela soltava longos gritos sem sentido e jogava mais coisas... um apartamento inteiro descartado através de uma única janela. A vida de uma pessoa à mostra na rua.