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domingo, 14 de agosto de 2016

Espiões da Coroa

04 - Castelos
Inglaterra, 1819
Ele era um autêntico assassino de damas.
A ingênua jamais teve oportunidade. Nunca imaginou que a espreitavam, nunca adivinhou as verdadeiras intenções de seu admirador secreto.
Ele acreditava havê-la ganhado com amabilidade e sentia orgulho daquela vantagem. Podia ter sido cruel. Não foi. A devastadora necessidade que ardia em seu interior exigia imediata satisfação, e embora as imagens eróticas da tortura o excitassem de uma maneira febril, negou-se a se submeter aos primitivos impulsos. Afinal, era um homem, não um animal. Procurava uma gratificação pessoal, e essa prostituta merecia morrer, apesar de que, naquela situação, mostrava-se compassivo. Foi muito
amável, compreensível. E afinal, ela morreu com um sorriso. Deliberadamente, ele a tomou de surpresa no momento exato, de modo que só chegou a ver o horror, um décimo de segundo em seus olhos castanhos indefesos, antes que tudo terminasse. E então acalmou-a com um cantarolar suave, como qualquer bom amo teria feito com seu mascote ferido. Enquanto a estrangulava, a fez escutar o som de sua compaixão. Não parou de cantarolar sua canção condolente enquanto terminava seu crime, até que soube que ela já não poderia escutá-lo.

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